O presente artigo analisa o modelo brasileiro de reporte ESG sob uma perspectiva comparada com o regime europeu estabelecido pela Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD), buscando identificar seus principais limites, desafios e perspectivas de evolução. A pesquisa parte da constatação de que a crescente relevância dos fatores ambientais, sociais e de governança tem impulsionado a construção de estruturas normativas voltadas à transparência corporativa e à gestão dos riscos socioambientais. Enquanto a União Europeia avança na consolidação de um sistema integrado, padronizado e auditável de divulgação de informações de sustentabilidade, fundamentado no princípio da dupla materialidade, o Brasil ainda apresenta um cenário marcado pela fragmentação regulatória, pela atuação setorial de diferentes órgãos reguladores e pela ausência de um marco normativo transversal. O estudo examina a evolução histórica da responsabilidade socioambiental empresarial, a consolidação internacional da agenda ESG e o papel de instrumentos recentes, como a Resolução CVM nº 193/2023 e a Lei nº 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Ao final, sustenta-se que o principal desafio do ordenamento jurídico brasileiro consiste em promover uma maior integração entre mecanismos de reporte ESG, instrumentos econômicos de regulação ambiental e políticas climáticas, de modo a assegurar maior comparabilidade, confiabilidade e efetividade das informações divulgadas, fortalecendo a governança corporativa e a alocação eficiente de capital em direção à sustentabilidade.